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  • Foto do escritorDiego Richene

Uma visão econômica sobre os bancos comerciais: Keynes, Austríacos e Monetaristas.



Olá pessoal! É um prazer retornar aqui novamente para conversar com vocês sobre Economia.


O pessoal aqui da escola me pediu para continuarmos com a série sobre os bancos, justamente para aproveitar todo esse movimento que estamos vendo lá fora de quebras bancárias e de M&A (Fusões e Aquisições) entre instituições.


Então pensei em trazer hoje para vocês um pouco sobre o que pensam as três principais escolas do pensamento econômico que eu considero mais importantes e que melhor abordam a questão bancária em suas ideias. Vamos lá?


A Escola Keynesiana e os Bancos Comerciais


A escola Keynesiana, fundada pelo economista britânico John Maynard Keynes, tem como princípio central a importância da demanda agregada na determinação da atividade econômica. Segundo Keynes, os bancos desempenham um papel crucial na economia, pois são responsáveis pela concessão de crédito e pela criação de dinheiro.


Os keynesianos acreditam que os bancos têm a capacidade de influenciar a demanda agregada por meio de políticas monetárias, como a taxa de juros. Em períodos de recessão, por exemplo, os keynesianos defendem a redução das taxas de juros pelos bancos centrais, de modo a estimular o consumo e o investimento. Além disso, os bancos também são vistos como agentes capazes de atenuar crises financeiras por meio de intervenções estabilizadoras. Acompanhe comigo a visão dessa escola sobre os bancos comerciais:


Criação de dinheiro e multiplicador bancário


Segundo a teoria keynesiana, os bancos comerciais têm a capacidade de criar dinheiro por meio do sistema de reservas fracionárias. Quando um banco concede um empréstimo, ele cria simultaneamente um depósito na conta do tomador. Esse processo, conhecido como multiplicador bancário, permite a expansão do crédito e, consequentemente, da oferta de moeda na economia.


Influência na demanda agregada


Os bancos comerciais desempenham um papel crucial na modulação da demanda agregada por meio de suas decisões de concessão de crédito e das taxas de juros praticadas. Em períodos de recessão, os keynesianos defendem políticas monetárias expansionistas, como a redução das taxas de juros pelos bancos centrais, a fim de estimular o consumo e o investimento. Os bancos comerciais são essenciais para implementar essas políticas, ajustando suas próprias taxas de juros e oferecendo mais crédito aos consumidores e empresas.


Estabilização de crises financeiras


Para a Escola Keynesiana, os bancos comerciais têm a responsabilidade de contribuir para a estabilidade financeira e atenuar crises. Em momentos de incerteza e turbulência, os bancos podem adotar medidas para restaurar a confiança no sistema financeiro, como renegociação de dívidas, reestruturação de empréstimos e colaboração com políticas governamentais de resgate e estabilização.


Regulação bancária e políticas macroprudenciais


Os keynesianos reconhecem a necessidade de regulação bancária para garantir a solidez e a estabilidade do sistema financeiro. Eles defendem a adoção de políticas macroprudenciais, como requerimentos de capital, limites de alavancagem e medidas anticíclicas, para garantir que os bancos comerciais atuem de forma responsável e não coloquem em risco a estabilidade financeira.


Em síntese, a escola Keynesiana atribui aos bancos comerciais um papel fundamental na economia, enfatizando sua capacidade de criar dinheiro, influenciar a demanda agregada e contribuir para a estabilidade financeira. A visão keynesiana reconhece a importância da regulação bancária e das políticas macroprudenciais para garantir um sistema financeiro sólido e eficiente.


A Escola Austríaca e os Bancos Comerciais


A Escola Austríaca, cujos principais expoentes são Ludwig von Mises e Friedrich Hayek, defende uma abordagem baseada no livre mercado e na atuação limitada do Estado na economia. Nessa perspectiva, os bancos têm um papel fundamental na coordenação intertemporal de recursos e na formação de taxas de juros.


Os austríacos criticam a expansão excessiva do crédito pelos bancos, argumentando que isso pode levar a ciclos econômicos e distorções no mercado. Eles defendem a necessidade de um sistema bancário sólido, com reservas adequadas e regulamentação mínima, permitindo que o mercado determine as taxas de juros e a alocação de recursos. Vamos falar um pouco mais sobre o que pensam os austríacos sobre os bancos, principalmente, os comerciais:


Intermediação financeira e coordenação intertemporal


Os bancos comerciais atuam como intermediários financeiros, conectando poupadores e investidores. Eles aceitam depósitos dos poupadores e emprestam a investidores, garantindo que os recursos sejam direcionados às oportunidades de investimento mais produtivas. Assim, os bancos desempenham um papel crucial na coordenação intertemporal de recursos, ou seja, na alocação de recursos entre diferentes períodos de tempo, de acordo com as preferências de consumo e poupança dos agentes econômicos.


Formação de taxas de juros


A Escola Austríaca defende que as taxas de juros são fundamentais para o processo de coordenação intertemporal e que devem ser determinadas pelo livre mercado. Os bancos comerciais são responsáveis pela formação das taxas de juros com base na oferta e demanda de fundos no mercado financeiro. Essas taxas de juros refletem as preferências temporais de poupadores e investidores e, assim, orientam a alocação de recursos na economia.


Expansão do crédito e ciclos econômicos


A Escola Austríaca é crítica à expansão excessiva do crédito pelos bancos comerciais, especialmente quando apoiada por políticas monetárias expansionistas dos bancos centrais. Os austríacos argumentam que a expansão do crédito além dos níveis sustentáveis pode levar a distorções no mercado e criar ciclos econômicos de expansão e recessão.


De acordo com a Teoria do Ciclo Econômico Austríaco, a expansão excessiva do crédito tende a reduzir artificialmente as taxas de juros, incentivando investimentos em projetos de longo prazo e menos produtivos. Eventualmente, a economia enfrenta uma crise quando os investimentos mal direcionados se mostram insustentáveis, levando a uma recessão e a ajustes no mercado.


Regulação bancária e reservas fracionárias


Os austríacos defendem um sistema bancário sólido e enxuto, com ênfase na manutenção de reservas adequadas e regulamentação mínima. Eles são críticos ao sistema de reservas fracionárias, em que os bancos são autorizados a emprestar uma parte significativa de seus depósitos, mantendo apenas uma fração como reserva.


A escola austríaca argumenta que o sistema de reservas fracionárias é instável e pode levar a corridas bancárias e crises financeiras. Alguns austríacos defendem a adoção de um sistema de reservas 100% lastreadas em ouro ou outro ativo, como forma de garantir maior estabilidade e previsibilidade no sistema financeiro.


Em resumo, para a Escola Austríaca, os bancos comerciais desempenham um papel vital na intermediação financeira e na coordenação intertemporal de recursos, sendo responsáveis pela formação de taxas de juros e pela alocação eficiente de recursos. No entanto, esta escola enfatiza a necessidade de um sistema bancário sólido, com reservas adequadas e regulamentação mínima, e alerta sobre os riscos da expansão excessiva do crédito e das intervenções estatais na economia. A visão austríaca destaca a importância da atuação responsável dos bancos comerciais e das políticas monetárias prudentes para garantir um ambiente econômico estável e evitar ciclos econômicos prejudiciais.


A Escola Monetarista e os Bancos Comerciais


A Escola Monetarista, liderada por Milton Friedman, enfatiza o papel da política monetária e a importância da quantidade de dinheiro na economia. Para os monetaristas, os bancos são fundamentais para controlar a oferta de moeda e, consequentemente, influenciar a inflação e o crescimento econômico.


Os monetaristas defendem que os bancos centrais devem adotar políticas que garantam a estabilidade do valor da moeda, como o controle da oferta monetária e a fixação de metas de inflação. Além disso, eles argumentam que a interferência excessiva dos bancos centrais na economia pode gerar instabilidade e distorções no mercado.


Nessa visão, os bancos comerciais são responsáveis pela concessão de crédito e pela administração de riscos, atuando em conformidade com as políticas monetárias estabelecidas pelos bancos centrais. Os monetaristas também advogam por uma regulação bancária eficiente, mas não excessiva, para garantir a estabilidade financeira e a proteção dos consumidores. Vamos ver com mais detalhes:


Controle da oferta monetária


Os monetaristas enfatizam a importância da oferta de moeda na economia e o papel dos bancos comerciais na sua regulação. Os bancos comerciais criam dinheiro por meio do sistema de reservas fracionárias, concedendo empréstimos e expandindo a oferta de crédito. Essa expansão do crédito influencia a oferta de moeda e, consequentemente, a inflação e o crescimento econômico.


Estabilidade econômica e metas de inflação


A Escola Monetarista defende que os bancos centrais devem adotar políticas que garantam a estabilidade do valor da moeda, como o controle da oferta monetária e a fixação de metas de inflação. Os bancos comerciais são fundamentais para a implementação dessas políticas, ajustando suas atividades de concessão de crédito e administração de riscos de acordo com as políticas monetárias estabelecidas pelos bancos centrais.


Para os monetaristas, a estabilidade econômica é essencial para promover o crescimento e o desenvolvimento da economia, e a inflação é um dos principais obstáculos para esse objetivo. Os bancos comerciais desempenham um papel fundamental na manutenção da estabilidade econômica, colaborando com as políticas monetárias dos bancos centrais e atuando em conformidade com as regulamentações e normas estabelecidas.


Regulação bancária e proteção do consumidor


A Escola Monetarista reconhece a importância da regulação bancária para garantir a estabilidade e a proteção do consumidor. Os monetaristas defendem a necessidade de uma regulação bancária eficiente, mas não excessiva, que garanta a estabilidade financeira e a proteção dos consumidores.


Os bancos comerciais são responsáveis pela concessão de crédito e administração de riscos, atuando em conformidade com as políticas e regulamentações estabelecidas. A escola monetarista enfatiza a importância do equilíbrio entre a regulação e a liberdade do mercado, para que os bancos possam cumprir eficientemente seu papel na economia e contribuir para o crescimento e o bem-estar geral.


Conclusão


Em resumo, as escolas Keynesiana, Austríaca e Monetarista apresentam diferentes visões sobre o papel e a importância dos bancos na economia. Enquanto os keynesianos enfatizam a importância dos bancos na gestão da demanda agregada e na estabilização de crises financeiras, os austríacos defendem a atuação limitada dos bancos e a coordenação intertemporal de recursos por meio de taxas de juros determinadas pelo mercado. Já os monetaristas focam no papel dos bancos na política monetária e no controle da oferta de moeda para garantir a estabilidade econômica.


Cada uma dessas escolas oferece perspectivas valiosas para entender o funcionamento dos bancos e a relação entre as instituições financeiras e a economia. Ao compreender as ideias e teorias dessas escolas do pensamento econômico, podemos extrair lições importantes para aprimorar a regulação bancária, a política monetária e a promoção de uma economia saudável e estável.


Gostou do artigo? Se você ficou com alguma dúvida, deixe aqui nos comentários a sua pergunta e vamos conversando. Espero que tenha gostado do artigo e entendido como cada escola não apenas defende suas ideias, mas como os formuladores de política econômica pelo mundo são influenciados por tais visões e como tomam decisões.


Até a próxima!

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