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  • Foto do escritorDiego Richene

Taxa Selic a 13,25%: o que isto significa para os meus estudos e os meus investimentos?

Nesta semana, o noticiário econômico nacional ficou na expectativa da quarta reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária) do ano, com apostas de mais uma alta dos juros no Brasil diante de um cenário com uma inflação cada vez mais elevada. Mas afinal, o que isso representa para os meus estudos de certificações, uma vez que isto é cobrado em qualquer uma das provas que realizarmos (desde a CPA 10 até o CGA) e o que isto representa para a minha carteira de investimentos e a dos meus clientes?





PARA OS ESTUDOS DE CERTIFICAÇÕES


O módulo de economia, como já dissemos, é comum a todas as provas de certificações do mercado. Entre os assuntos cobrados, estão as funções do COPOM, Política Monetária, bem como conceitos de taxas de juros e de inflação.


Como você bem sabe, o COPOM define a meta da taxa selic. Com reuniões a cada 45 dias, o colegiado se reúne para monitorar o comportamento das principais variáveis macro e microeconômicas, mas principalmente, visualizar como está o comportamento da inflação - fundamentalmente o IPCA, medido pelo IBGE.


Você também deve se lembrar que o CMN (Conselho Monetário Nacional) define a meta de inflação do país, que deve ser monitorado constantemente pelo BACEN (Banco Central) através do COPOM. A autoridade máxima do Sistema Financeiro Nacional determina que o IPCA deve flutuar em intervalos de tolerância máximos (teto), mínimos (piso) mas deve ficar o mais próximo possível do centro da meta. Atualmente, estes intervalos se situam em 3,75% (centro da meta), com teto em 5,25% e piso em 2,50%.


Nos últimos 12 meses (até Maio/2022), o IPCA ficou em 11,73%, portanto, muito acima do desejável (3,75%) e estourando o teto (5,25%). Para fazer esse indicador voltar para o patamar desejável, é necessário utilizar de instrumentos de política monetária, onde alterar as taxas de juros (Selic, principalmente) é um desses meios.


Desde 2021, o COPOM tem utilizado uma política monetária contracionista, ou seja, subiu a SELIC para controlar o IPCA, com o efeito colateral de reduzir o nível da atividade econômica (PIB). Logo, com o encarecimento da oferta de dinheiro, o consumo tende a diminuir e com isto, a inflação.


PARA OS MEUS INVESTIMENTOS


Juros maiores podem ser uma faca de dois gumes, tanto para quem está em Renda Fixa, quanto para quem está na Renda Variável. O entendimento disto é fundamental para inclusive, saber argumentar com os clientes investidores.


Olhando para a Renda Fixa, com as sucessivas altas vistas nos últimos meses, quem está em aplicações pósfixadas deve estar "sorrindo à toa", principalmente se pegou este movimento desde o início. Suponha um CDB a 100% do CDI quando a Selic estava em 2% a.a (portanto, CDI a 1,90%) e compare o mesmo produto com Selic a 13,25% (CDI a 13,15%). Isto representa uma alta de mais de 1.125 pontos base, logo, um ganho extraordinário para quem tem objetivo de ficar com o papel até o vencimento. E aparentemente pode ganhar ainda mais, tendo em vista que o COPOM sinalizou que vai continuar subindo os juros.


Já para quem está prefixado, o cenário tem sido de bastante volatilidade. Primeiro, porque quem prefixou taxas lá atrás - suponha, 6% quando a Selic estava a 2%, deve estar deixando "dinheiro na mesa". Segundo, porque esses papéis sofrem marcação a mercado em demasia nesses cenários de altas de juros. Terceiro, porque o investidor deveria ficar sempre atento ao vencimento e verificar sempre a conjuntura econômica.


Prefixar agora pode ser uma opção atrativa se o cenário for de pausa no ritmo de altas de juros? Bem, existe a possibilidade do COPOM encerrar este movimento já na próxima reunião (Agosto/2022) e, a não ser que o investidor vislumbre o longo prazo, essa opção pode ser interessante, ainda mais se as perspectivas forem de queda dos juros já a partir de 2023. Aqui ressaltamos que estamos olhando apenas para as taxas pactuadas, mas você deve se lembrar que a Renda Fixa vai muito além das taxas.


E na Renda Variável? A vida não está fácil para quem olha para o curto prazo, mas pode ser uma oportunidade para quem olha para o longo prazo.


Em primeiro lugar, temos que observar a preferência dos agentes de mercado por ativos "livres de risco" na renda fixa, ainda mais se estes estão remunerando mais do que algumas ações que podem ser boas pagadoras de dividendos, por exemplo, cuja qualidade de fundamentos podem não ter sido deterioradas pelo cenário atual (em tese). Isto leva a um movimento de manada forte em direção a portos seguros na Renda Fixa e podem abrir oportunidades para "pechinchas" na Renda Variável para prazos mais longos.


Em segundo lugar, quando falamos em qualidade de fundamentos, deve-se buscar analisar com muito mais critério as empresas e seus negócios em relação ao ciclo econômico vivido. Por exemplo, empresas varejistas estão sofrendo com a alta da taxa Selic, pois juros maiores encarecem o custo ponderado de capital destas companhias, bem como diminuem seus fluxos de caixa na medida em que precisam descontar recebíveis. Além do mais, estas empresas não possuem histórico de serem boas pagadoras de dividendos, deixando os investidores "a mercê" do preço e da volatilidade do mercado. Mas se o investidor vislumbra um cenário futuro de recuperação da economia e quedas das taxas de juros, ancorados em um ciclo mais pujante do consumo, o setor pode se beneficiar desses movimentos.


Deu pra entender a lógica? É assim que orientamos você pensar: veja a teoria que permeia o mercado e coloque-a em prática.


Aqui na Thrive fazemos isto constantemente. Vem conferir!



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