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  • Foto do escritorDiego Richene

Entenda o que é Moral Hazard e como isso pode afetar suas finanças.




O Sistema Financeiro Global entrou em modo de alerta nos últimos dias por conta da quebra de dois grandes bancos regionais nos Estados Unidos: o Silicon Valley Bank (SVB), considerado o décimo quinto maior banco americano, sediado no Vale do Silício, na Califórnia - focado em empréstimos para startups, e o Signature Bank, sediado em Nova York e orientado para o mercado de Criptomoedas.


Isto levou as autoridades fiscais e monetárias nos EUA a adotarem medidas para dar liquidez ao sistema e trazer calma aos mercados financeiros do mundo inteiro, bem como usar mecanismos mais rápidos e eficientes de proteção para os depositantes de todo o sistema bancário americano. Ou seja, novamente o dinheiro do pagador de impostos será usado para socorrer instituições que, em tese, assumiram mais riscos do que podiam.


Assim como em 2008, quando o mundo foi assolado por uma grande crise financeira (cujos efeitos são sentidos até hoje), surge no debate um tema muito comum no meio econômico-financeiro, provocando novamente uma profunda reflexão entre os agentes do mercado: a Moral Hazard (Risco Moral).


Esse fenômeno é caracterizado por uma pessoa ou empresa assumir riscos maiores ou agir de maneira menos cautelosa por saber que não arcará com as consequências negativas dos seus atos. No contexto do sistema financeiro, a Moral Hazard pode ter efeitos significativos e incentivar comportamentos irresponsáveis, como foi o caso do Lehman Brothers no crash de 2008.


Antes daquela crise financeira, bancos de todo o mundo emprestaram dinheiro de forma imprudente e assumiram muitos riscos. Ela teve origem na bolha imobiliária nos EUA, que se formou devido ao aumento no número de empréstimos hipotecários concedidos a pessoas com baixa capacidade financeira, sem que houvesse uma avaliação adequada de sua capacidade de pagamento.


Esses empréstimos hipotecários (também conhecidos como Subprime), foram então vendidos para outras instituições financeiras, que os transformaram em produtos financeiros complexos, conhecidos como CDOs (Collateralized Debt Obligations) e CDS (Credit Default Swaps). Esses produtos, que continham empréstimos de alto risco, foram então vendidos para investidores do mundo inteiro - principalmente, através de Fundos de Investimentos.


No entanto, quando muitos dos mutuários dos empréstimos subprime começaram a não conseguir pagar suas hipotecas, isso levou a um aumento significativo nas taxas de inadimplência, causando uma queda no valor dos CDOs e CDS, levando muitas instituições financeiras a sofrer grandes perdas. Além disso, muitas delas haviam feito investimentos em ativos de altíssimo risco, na esperança de obterem grandes retornos.


Quando a crise chegou, esses investimentos se tornaram insustentáveis, levando muitas instituições financeiras à falência ou à beira dela. Além disso, muitos desses bancos foram salvos por governos que usaram dinheiro público para resgatá-los. Essa ação do governo gerou um debate que dizia que haveria uma redução dos incentivos para que os bancos fossem mais cautelosos no futuro, criando um Moral Hazard que provocaria comportamentos irresponsáveis em períodos posteriores.


Para evitar a Moral Hazard, é importante que as autoridades financeiras busquem maneiras de incentivar empresas e indivíduos a assumir riscos de forma mais responsável. Isso pode incluir a aplicação de regulamentações mais rigorosas para as instituições financeiras, redução da proteção excessiva para empresas financeiras e reforço da supervisão do sistema financeiro para identificar e corrigir comportamentos irresponsáveis.


Além disso, é importante destacar que a Moral Hazard é um conceito que pode ser aplicado facilmente no nosso dia a dia. Podemos nos tornar complacentes se sabemos que alguém estará sempre disponível para nos resgatar de uma situação financeira difícil. Isso pode nos levar a tomar riscos desnecessários ou a agir de forma irresponsável. Por exemplo, uma pessoa pode assumir dívidas que não conseguirá pagar, gastar mais do que ganha ou fazer investimentos arriscados sem avaliar os riscos adequadamente. Por isso, devemos sempre considerar as consequências de nossas ações e assumir a responsabilidade por nossas escolhas.


Em suma, a Moral Hazard é um conceito importante no sistema financeiro e em nossas vidas cotidianas. Devemos estar atentos a esse fenômeno e buscar maneiras de evitar comportamentos irresponsáveis. Afinal, as consequências negativas da Moral Hazard podem ser graves e duradouras.


Será que estamos diante de mais uma Moral Hazard no sistema financeiro mundial? Convido você, leitor, a refletir sobre esse assunto e compartilhar seus pensamentos nos comentários abaixo.


Até a próxima!

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